O Setembro Verde foi muito especial para nós do INEB Brasília. Além da campanha realizada por meio de nossas redes sociais, promovemos o INEB é Saúde, que contou com caminhada e palestra sobre a doação e transplante de órgãos.
Acreditamos que conversar sobre o assunto seja a melhor forma de conscientizar futuros doadores e familiares. E contamos com o auxílio de quatro pessoas que deixaram sua mensagem a respeito do Setembro Verde e sobre a doação de órgãos. São mensagens que refletem a história de cada uma.

“Uma nova vida”

O tenista paralímpico Rodrigo Campos (você pode conferir a história dele completa aqui) sonha em disputar as olimpíadas de Tóquio, no ano que vem. O transplante renal lhe proporcionou a oportunidade, como ele mesmo disse, de ter uma nova vida. Confira o depoimento completo:

“O transplante é uma nova vida para a gente. Graças a Deus, soube lidar bem com a doença, claro, depois do momento que caiu a ficha, entender o que estava acontecendo. Mas sempre fui atleta, isso me ajudou a superar esse momento que passei.
Depois que fui transplantado, nova vida. Totalmente, tanto em qualidade de vida, em me sentir bem comigo mesmo. É claro que criamos vínculo com vocês (equipe e colegas de hemodiálise do INEB Brasília), nos tornamos uma família, sentimos o cuidado que vocês têm conosco. Mas o transplante trouxe um alívio. Hoje vejo como é importante você receber esse órgão, continuar sua vida. E creio que para as pessoas que precisam, isso realmente faz uma enorme diferença.
Fazendo hemodiálise por 6 anos, consegui disputar as paraolimpíadas do Rio, agora com um novo rim, busco as Olimpíadas de Tóquio de uma forma diferente. Com certeza vai ser meu grande sonho.
E sobre a família permitir a doação dos órgãos, eu sei que é complexo para quem perdeu o ente querido e está passando por um momento difícil, mas essa pessoa também pode ver que pode salvar várias vidas. Como foi no meu caso, é maravilhoso, sou muito agradecido. Eu não sei quem é a família, a pessoa, mas para mim trouxe nova vida, maior qualidade de vida e, com certeza, as pessoas que virem esse depoimento e puderem fazer essa grandiosidade de doar o rim e os órgãos. Eu sou atleta e para mim foi maravilhoso receber esse rim, o qual eu necessitava, e hoje continuo fazendo o esporte e me dedicando ainda mais através desta boa ação.”

“Estamos aqui porque queremos viver”

Iracema Gonçalves de Siqueira é paciente do INEB Brasília e ressalta a importância de se conscientizar, conversar e tornar a discussão sobre a doação de órgãos cada vez mais presente.

“Queria falar para as pessoas como é importante salvar vidas. O que temos que fazer é divulgarmos a ação que fizemos no dia 22 agora (o INEB é Saúde). É muito importante, porque estamos tentando conscientizar a população! Estamos aqui porque queremos viver. Nós lutamos para viver. É importante conscientizarmos a família, os amigos, a população sobre a doação de órgãos não só dos rins, de tudo! Tenho 66 anos, mas quero viver, quero ver meus netos, quero ver minha família, todos nós queremos.
Seu ente querido pode ir embora, mas ele pode deixar um pedacinho dele aqui, pode ter uma nova família, pois ele está aqui dando vida. Antes, não tinha consciência sobre isso, mas hoje eu falo: o que tiver que ser doado, pode doar!
Eu conscientizo minha família, que é um pouquinho grande, meus amigos, coloco nas minhas redes sociais: doe órgãos! É importante salvar vidas! Deus dá a vida, mas prolongar, você pode prolongar. É importante a família estar junto. Isso é uma união de pessoas para salvar vidas!
A comunicação também é muito importante, o dia que eu fizer meu transplante, pode garantir que não vai ficar só no Brasil não, vou falar para o mundo inteiro.”

“Você se declarar doador é como se respeitasse a dor do outro”

Raysa do Carmo é paciente do INEB Brasília, possui o Instagram @hemodialisenaoeofim, no qual compartilha sua rotina de hemodiálise e sobre sua espera pelo transplante renal.
“Muitas pessoas têm receios e dúvidas quanto ao transplante, e o recado que eu deixo é para pensar na vida. É uma forma de prolongar a vida de algumas pessoas que estão passando por momento difícil. Você se declarar doador é como se respeitasse a dor do outro. Pense um pouco no que pode fazer pelo outro quando ninguém mais pode fazer. Se você tomar essa decisão, você pode fazer o bem para 8 pessoas. Você se foi, sua família pode estar sofrendo, mas oito famílias vão ser felizes, vão ter esperança, vão ter tempo. Porque é isso que queremos, tempo. Acompanhar de perto as pessoas que a gente ama.
Eu acho que se fosse mais divulgado, seria mais fácil para as famílias aceitarem o desejo da pessoa doadora quando ela se for. Por isso, conversem mais, se é o desejo da pessoa doadora, por que não aceitar? Se conversássemos mais sobre o tema, quando perdêssemos essa pessoa querida, esse ato traria mais alívio para todos. Não é fácil estar ali sofrendo e ter que decidir se tem que doar ou não. Por isso é importante avisar, porque quando uma pessoa que a gente ama se vai, nosso maior desejo é realizar aquilo que ela queria.”

“O primeiro passo é conversar com a família”

Ivanildo Soares é paciente do INEB Brasília e jogador de futebol amador, e reconhece como o apoio da família, tanto para o paciente renal, quanto para o doador, é fundamental.

“Há 3 anos faço hemodiálise e o primeiro ano foi bem difícil. Jogo futebol amador e quando descobri a doença, não aceitei. Primeiro, pensei que tudo tinha acabado, pois eu não sabia como funcionava, pensava que não poderia praticar esportes. Tive apoio da família e depois de um ano, comecei a acreditar em mim e voltar a fazer o que eu gostava. O apoio para o paciente renal é muito importante, faz a diferença.
Quando a pessoa quer ser doadora de órgãos, o primeiro passo é conversar com a família. Fale que você quer ser doador, quer ajudar pessoas. Não se esqueçam, doem órgãos!”

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