Já abordamos algumas vezes aqui no blog sobre a importância de conciliar o tratamento do paciente renal crônico com o apoio psicoemocional, afinal, por conta do diagnóstico e das mudanças que o tratamento traz para a vida, muitos apresentam quadros de ansiedade, dificuldades de superar o processo do luto e, em casos mais complexos, entram em estado depressivo.
Devemos entender, primeiramente, que humor deprimido se difere da depressão. Como explica a psicóloga da equipe do INEB Brasília, Leslie Figueiredo, podemos oscilar o humor por conta de nossa subjetividade como humanos e, por conta de nossas angústias circunstanciais, patológicas, existenciais etc, podemos ter momentos mais tristes e de humor mais deprimido, o que é normal.
Já a depressão é algo mais profundo, é um transtorno de ansiedade caracterizado por níveis (do leve ao avançado) e sintomas mais intensos além do humor deprimido, como apatia, desejo de isolamento, de não viver, de não se relacionar com outras pessoas, baixa autoestima, sentimentos de opressão e, em estágios mais avançados, sentimentos que afetam até mesmo a rotina de higiene e alimentação.

A depressão no renal crônico
Como explica a psicóloga, o renal crônico pode ficar deprimido e consequentemente depressivo por conta de seu histórico com a doença, pela nova rotina que será assimilada. Eles entram no processo do luto, onde precisam passar por estágios do luto pela perda dos rins até a aceitação pela nova realidade em que se encontram. No entanto, esse processo é complexo.
“Eles podem oscilar muito de humor. Tem fases, e muitos não conseguem vencer e chegar à aceitação da doença. Em dados momentos estão até mais animados, confiantes, aparentemente adaptados à hemodiálise, mas a própria rotina desconstrói esse estado de humor e certeza, uma vez que o tratamento é contínuo, exige adaptações na vida social e no trabalho, muitas vezes impondo até limitações na alimentação. Isso acaba deixando-os depressivos”, completa.

A família e seu papel fundamental
Neste momento de adaptação, de superação e de tratamento não apenas da doença renal crônica, mas da depressão que se instalou por conta do diagnóstico, a família exerce um papel fundamental. Afinal, os familiares também estão envolvidos no processo de mudança e, diretamente, também passam por um processo de luto, pois precisam enxergar novas referências do paciente.
Por isso, ações que reúnem familiares, como as que são realizadas pelo INEB Brasília, são efetivas para promover mais informação e integração.
“É importante que eles saibam o que se passa com ele, o que sente e procurar se adequar. Se antes ele era o cuidador, agora ele é quem receberá os cuidados. São muitas barreiras que a família acaba tendo que superar e ter a estrutura da psicoterapia em grupo e a conscientização sobre o quadro clínico e psicoemocional é muito importante. O auxílio é muito necessário e tem que ser feito de maneira apropriada para não gerar ao paciente nenhum desconforto”, explica a psicóloga.

A psicoterapia e a melhora na hemodiálise
As intervenções psicológicas, como a escuta qualificada, psicoterapia individual e roda de conversa promovem o diálogo, facilitando assim a melhora à aderência ao tratamento hemodialítico, à conscientização e ao processo de aceitação da doença e à superação do processo de luto.
Como explica Leslie, se há a possibilidade de combinar a psicoterapia (que proporciona maior entendimento e conforto a respeito da doença renal crônica), o tratamento específico da superação do luto e o tratamento da depressão (que deve ser acompanhada de forma multidisciplinar), consequentemente o paciente perceberá uma melhora em sua sessão de hemodiálise, pois ele estará menos relutante e mais apto a atender a todas as indicações necessárias para um tratamento efetivo.
“Eles se sentirão mais confortáveis durante o processo hemodialítico e até para aceitar sua condição. A compreensão e a manutenção do psicoemocional proporcionam um ressignificar diante da doença, permitindo que o paciente se cure e possa viver um novo tempo, o que é imprescindível para ele”, finaliza.

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