Rodrigo quase perdeu a chance de ir aos Jogos Paralímpicos, mas graças ao transplante poderá voltar a competir

Rodrigo Campos é atleta paralímpico há mais de 15 anos. A paraplegia precoce – que acometeu o competidor ainda na infância, decorrente de uma meningite – não o impediu de correr atrás de seus objetivos e alcançar a notoriedade no cenário nacional e internacional na sua categoria, o tênis em cadeira de rodas. Atravessava ótima fase na carreira quando teve uma infecção urinária que paralisou seus rins, condição que o obrigou a iniciar os tratamentos com hemodiálise.

“Fui surpreendido com a notícia da doença. No começo, foi bem difícil lidar com isso, como acontece com quase todo mundo que descobre essa doença. Os primeiros seis meses foram bem complicados”, relembra o atleta. “Eu comecei a dividir meu tempo. Antes era só o treinamento. Depois tive de conciliar treinamento e minhas idas à clínica para o tratamento. Foi um período difícil”, completa.

As dificuldades impostas pela doença renal crônica quase tiraram Rodrigo das Paralimpíadas do Rio. “Na época, eu tinha grandes chances de representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio, em 2016. Mas quando foi diagnosticada a doença, o Comitê Paralímpico Brasileiro não queria autorizar minha participação. Eles alegavam que, por causa da doença, eu corria o risco de passar mal durante as partidas. Foi uma luta, mais uma na minha vida, para garantir minha vaga”, detalha o tenista.

Voltando à ativa

Mesmo com todos os empecilhos, Rodrigo conseguiu conquistar a vaga para representar o Brasil nos Jogos. Era a primeira das vitórias que aconteceriam em sua vida a partir dali. “Quando recebi a convocação, demorou para cair a ficha. Eu só fui me dar conta do tamanho da importância de eu estar nos Jogos quando entrei na Cidade Olímpica. Foi uma sensação de vitória tão grande como a conquista de uma medalha ou até mais”, conta Rodrigo.

Apesar de não ter conquistado medalha, o tenista já se considera um vitorioso por não ter desistido de lutar. E essa persistência o fez chegar ainda mais longe. Há cinco meses, Rodrigo entrou para a fila de transplante de rim. E, no início de março deste ano, alcançou mais uma vitória.

Conseguiu o rim de um doador compatível e, graças ao sucesso do transplante realizado no Instituto de Nefrologia de Brasília (INEB), voltou a ter uma vida normal. Agora, ele só precisa esperar a recuperação total para voltar à ativa e dar continuidade à sua carreira. E isso, ao que tudo indica, não deve demorar muito.

“Após os três meses do transplante, Rodrigo poderá retornar às atividades físicas e treinos normalmente, se tudo ocorrer bem nesse período”, explica a nefrologista do INEB Helen Souto Siqueira Cardoso, responsável pelo transplante e pelo processo de recuperação de Rodrigo.

Helen enxerga o caso de Rodrigo como um estímulo para que as pessoas entendam a importância de aderir à doação de rins. “A doação é importante pois pode proporcionar uma melhor qualidade de vida para pacientes tão brilhantes e esforçados como ele, que mesmo nas piores adversidades, conseguia ter força, ânimo e motivação para treinar e seguir a carreira de atleta paralímpico. A doação pode salvar vidas”, completa a médica.

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