Ao observar seus filhos, os pais têm condições de suspeitar do problema e imediatamente procurar um nefropediatra

Infelizmente, doença renal crônica, que é a perda gradual e irreversível da função dos rins, órgãos responsáveis por filtrar o sangue, eliminando as substâncias que são nocivas ao organismo, já é considerada problema de saúde pública. A estimativa é que mais de 120 mil brasileiros têm insuficiência renal e fazem hemodiálise. No Brasil, em agosto deste ano, 90% das pessoas que aguardavam transplante de órgãos estavam esperando um rim. Para muitos, é difícil imaginar, mas ocorre: as crianças não estão livre deste problema. E, como os adultos, podem precisar de hemodiálise e de transplante. Não é simples, mas os pais, conhecendo as causas e sintomas da doença e, observando seus filhos, têm condições de suspeitar do problema e, imediatamente, procurar um especialista.

Grande parte das doenças do sistema urinário que acometem crianças e adolescentes é congênita. Algumas são herdadas e outras acontecem durante a gestação. As mais frequentes são as malformações do trato urinário associadas à infecção urinária de repetição, doenças renais hereditárias (como doença de rins policísticos), nefrites (doenças inflamatórias nos rins) e cistos renais, explica Maya Caetano, nefropediatra do Instituto de Nefrologgia de Brasília (Ineb).

Os sinais são muito sutis, mas os pais têm condições de observá-los e procurar um nefropediatra para consulta e realização de exames que vão fechar o diagnóstico, afirma a médica. Os sintomas mais comuns são inchaço no corpo, vômitos frequentes, infecções urinárias repetidas, atraso no crescimento e desenvolvimento, problemas ósseos, anemias de difícil tratamento e hipertensão arterial. Problema frequente na infância, a infecção urinária, responsável por quadros de febre, pode levar à doença renal. “Os pais não devem medicar a criança sem conhecimento e aval do médico, seja com medicamentos industrializados ou com os chamados remédios naturais, ervas ou chás, pois eles podem ser tóxicos para o rim, necessitando, portanto, de uso supervisionado”, frisa Maya.

Como vários sintomas da doença renal crônica podem ser confundidos com os de outras moléstias, ela recomenda consulta a um nefropediatra e realização de exames de urina de rotina – pelo menos uma vez durante cada etapa da infância. O diagnóstico precoce e o encaminhamento imediato ao especialista é fundamental para evitar ou protelar medidas extremas, como a hemodiálise e o transplante de rim. Se não for diagnosticada precocemente, a insuficiência renal pode aumentar as chances de a criança desenvolver doenças associadas, especialmente as de coração, causa de mortalidade mais comum entre pacientes renais pediátricos, alerta a nefropediatra Maya Caetano.

Prevenção

Além de observar atentamente a saúde dos filhos, cabe aos pais ensinarem hábitos de vida saudáveis para prevenir o desenvolvimento futuro de doença renal crônica. Alimentação com pouco sódio, pobre em gorduras e quantidade moderada de carboidratos, exercícios físicos regulares, diminuição na ingestão de alimentos embutidos, refrigerantes e guloseimas industrializadas, além do consumo de bastante água são os principais hábitos saudáveis a serem adotados ainda na infância.

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